Para elas, por elas, com elas
09 | 03 | 2018
Somos 7,6 bilhões de pessoas no planeta. Em média, nascem 105 homens para cada 100 mulheres. Apesar dos números parecidos em questões como essa, não é preciso muito estudo ou pesquisa para entendermos que sim, vivemos ainda em um mundo masculino (sem entrar em questões como machismo ou levantar a bandeira do feminismo): segundo o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo: Tendências para Mulheres 2018”, a taxa global de participação das mulheres na força de trabalho ficou em 48,5% em 2018, 26,5 pontos percentuais abaixo da taxa dos homens. Segundo o IBGE, no Brasil, elas são maioria, vivem mais tempo, têm mais educação formal e ocupam 44% das vagas de emprego registradas no país. No entanto, o número de mulheres desempregadas é 29% maior que o de homens. 

Em paralelo, segundo a ONU Mulheres, são elas que controlam quase 75% dos gastos arbitrários de consumidores em todo o mundo. E o mercado com isso? Simplesmente, tudo! Muito mais do que se preocupar em criar “canetas femininas” ou “aparelhos de depilação para elas”, as marcas precisam encarar e superar o desafio da igualdade de gêneros. Como? Com homens e mulheres criando juntos, inovando juntos, oferecendo soluções juntos. 

Além de contar com elas na sua equipe, é preciso também CONVERSAR com elas. Afinal, não é só de panelas, fraldas e ferro de passar que elas vivem - longe disso, por favor! De olho no comportamento da mulher moderna, a Nike, por exemplo, se viu diante de uma grande oportunidade e, agora, na Semana de Moda de Paris, revelou a “Nike Unlaced”, uma loja conceito somente para mulheres com produtos em novos tamanhos de seus modelos icônicos, oferecendo desempenho, ambiente de compra e serviços exclusivos para elas. 

Um dia antes, a Selfridges, uma cadeia de lojas de departamento londrina, lançou seu novo espaço de tênis femininos. A abertura se deu após o aumento da demanda dos modelos, tanto de marcas de luxo quando das esportivas. são mais de 700 modelos, com marcas como Chloe, Balenciaga, Nike, Vans, Converse, Yeezy e Off-White.

No Brasil, a Skol é uma das empresas que mais tem pensado no público feminino. Ao invés de promover campanhas machistas e criar “cervejas para mulheres”, ela tem, cada vez mais, apostado nas diferenças. Em março, ela promove rodas de conversas com mulheres para elas opinarem e dizerem o que gostariam de ver nos comerciais de cerveja. Assim, nasceu o projeto #EscutaAsMinas, que dará origem a um novo filme, programado para ser exibido no dia 25 de março. Ah, nos bastidores também só dá elas: a equipe (da direção às eletricistas e bombeiras) é toda feminina. 

Além do maior poder de influência e compra, que tem forçado as empresas a olharem com mais cuidado para as suas dores reais, as mulheres também começaram a deixar, aos pouquinhos, sua marca à frente de grandes companhias. Segundo dados do International Business Report (IBR), a porcentagem de mulheres CEOs no Brasil cresceu de 5% em 2015 para 16% em 2017, mas ainda representam apenas 2,8% dos cargos mais altos. Nomes como a indiana Indra Nooyi, a atual CEO da multinacional Pepsi co. ainda são exceção. No Brasil, a empresária Luiza Helena Trajano revolucionou o varejo brasileiro estando à frente do Magazine Luiza. Na então TAM, Claudia Sender assumiu a presidência em 2013 e seguiu até 2017, tornando-se vice-presidente sênior da área de clientes para a Latam no mundo.

O que se espera não é um mundo feminino, é um mundo igualitário, com salários iguais, direitos iguais e responsabilidades iguais. Deseja-se que, além de produzir PARA elas, atendendo e ouvindo os seus desejos, o mercado produza COM elas. 

Photo by Matheus Ferrero on Unsplash