No caminho do bem
01 | 12 | 2017
Na sexta-feira, dia 24 de novembro, a Abracadabra realizou a última edição do ano do Yellow Day. A partir do tema “Marcas que fazem o bem”, Celina Hissa, da Catarina Mina; Gustavo Lima, da Meu óculos de Madeira; e Lisie Aragão, da Mude, falaram sobre os desafios, a coragem e, principalmente, a dedicação necessárias para construir e manter uma marca que pensa muito além do lucro.

Perdeu o Yellow Day? Clique aqui e confira na íntegra o que rolou. Mas se você prefere um breve resumo, vamos lá:

Novos tempos
“Hoje o consumo, para ser justificado, ele [o consumidor] procura sempre algo mais.” Celina afirma que vivemos uma fase de transição. Antes, bastava uma marca ou empresa criar um produto novo para ter lucro. Hoje, o consumidor tenta entender o que há por trás daquele produto. “Não basta mais criar algo novo, mas pensar em processos, em como ele influencia positivamente a sociedade”, conta.

O ponto de vista da Celina é complementado com o que Lisie aprendeu com a ONG ARTEMISIA: “Entre mudar o mundo e ganhar dinheiro, eu sempre fico com os dois.” Isso quer dizer, conforme explica Allyson, diretor da Abracadabra e mediador do evento, que não é preciso escolher entre um e outro, que essa ideia de que fazer o bem é assistencialismo vem de empresas tradicionais. “E, cada vez mais, principalmente os jovens, já começam seus negócios com ideias diferentes”, completa.

A escolha do caminho
Inovação, moda e sustentabilidade. essas três palavras sempre estiveram nas leituras de Gustavo Lima, diretor da Meu Óculos de Madeira. E, quando conheceu esse tipo de óculos (através de um presente que deu para a esposa e sócia), viu que o produto estava inserido nesses três pontos - frisando, principalmente, a questão do reaproveitamento da matéria-prima. Mesmo sem nunca ter trabalhado com carpintaria, hoje o casal é responsável por todo processo de confecção das peças, indo do desenho até a execução.

Já Lisie vem de uma família de empreendedores do interior do Ceará. Após ela e a irmã concluírem a faculdade de administração, surgiu o desejo de ter algo próprio. “Sempre soubemos que queríamos trabalhar com mulheres. Minha mãe sempre criou a gente pra ser mulher e fazer o que ninguém faz”. Ao analisarem o mercado, viram que nenhuma empresa do setor atacadista de moda atuava com a proposta que elas desejavam: comercialização mais apoio com dicas de administração. “E a Mude veio para fazer o oposto, para que elas não tenham que viajar para comprar seus produtos para revender. E para que ela tenha suporte, educação.”

Mais que discurso, essência 
Mais do que falar, é preciso fazer. A proposta da Mude, por exemplo, é “entender a realidade da mulher, da nossa revendedora. E as pessoas abraçam essa causa e ama o fato de ajudar, de saber que estão usando [uma peça] Mude, de uma Mulher Determinada”, conta Lisie. 
 
Com menos de um ano no mercado, a Mude busca consolidar essa relação, que inicia online, com a entrega dos primeiros produtos. “É um caminho que a gente anda junto, ao lado de cada uma. Nossas mulheres sempre foram muito exploradas, pelas grandes marcas e pelo mundo. Então conversamos muito, mostramos confiança, entregamos mais do que elas estavam acostumadas”, conta Lisie.

Já a Catarina Mina foi a primeira marca do Brasil a apostar nos custos abertos, apresentados no site para quem quiser saber o custo de produção de cada peça. E tal “exposição” foi um passo novo no negócio, o projeto chamado Uma conversa sincera. “A gente viu que o consumidor só acreditaria [no nosso produto] se ele estivesse perto da gente. De fato, é um convite para estar perto, para que tudo aconteça“, conta Celina, que também afirma que tal proximidade faz com que a marca se dedique sempre mais.

Tal mudança e proximidade fizeram a Catarina Mina crescer. Antes contando com sete artesãs, hoje somam 35. São 45 pontos de venda no Brasil e vários países de atuação, como Estados Unidos, Inglaterra, México e França. “[Estabelecemos] uma balança mais justa na cadeia de moda. Tudo só acontece por causa das pessoas e da rede que viabiliza isso”, conta Celina. 

Segundo Gustavo, a Meu Óculos de Madeira oferece soluções, atende às necessidades e está sempre em busca de ouvir o cliente. “O nosso negócio, querendo ou não, também é movido por ele. Quanto mais a gente entende, mais ele consome e nos influencia, dando mais gás pra gente tocar o projeto. A gente é movido pelos nossos consumidores”, conta.

Preço e valor
Muito mais do que ver preço, é preciso perceber o valor da marca. E saber repassar esse valor para eles. “A finalidade do produto acaba superando o preço”, afirma Gustavo. E Celina completa: “A curto prazo, pode parecer caro, mas a longo você acaba criando uma marca, um valor de empresa.” Para Lisie, um trabalho feito com valor traz um retorno muito maior, tanto para quem faz quanto para quem compra. 

Nessa “onda” de valor acima de preço, já tem termo novo no ar: os nativos sustentáveis. “Eles já nasceram com essa filosofia de que o produto e a marca precisam ser sustentáveis. Daqui a alguns anos, se isso não estiver no DNA de quem faz, as marcas não vão sobreviver”, explica Allyson. 

Em tempos de crise, Celina aposta nos negócios que fazem o bem. “Na minha percepção, os negócios que cresceram foram os que tiveram esse olhar diferenciado. Vimos um aumento de feiras, das pessoas comprando de quem faz”, conclui. E você, já montou o seu negócio do bem?

8 dicas de ouro dos participantes
- “Tenha um plano de negócios. Um erro que eu cometi, que é o básico...”, diz Celina.

- “... Mas, mesmo que ele seja 100% calculado, tem que ajustar, remodelar. Não pode estar apegado. Tem que está aberto a mudanças”, completa Lisie.

- “Seja otimista. se for pensar nos problemas que vai ter, você não sai do lugar”, Celina

- Trabalhe com negócios que façam o bem. “Eles te dão uma força, uma vontade muito maior do que ter só um produto”, Lisie.

- “Procure modos horizontais de se relacionar com a cadeia, que não seja tão verticalizado”, Celina

- “Acredite. E só dura porque você acredita”, Gustavo. 

- “Seja firme ao seu propósito”, Lisie

- “Saber dizer não. Porque quando você tá muito aberto, sem foco, você se perde”, Celina.