Para onde vai o “futuro”?
22 | 08 | 2017
Crescemos com as imagens de naves espaciais, carros voadores, robôs assistentes, máquinas falantes… Esse era o futuro prometido para a minha geração. Esse era o “novo”. Se o futuro é o “novo”, o “novo” é sempre high-tech? As soluções que nos levarão ao “novo” serão digitais-virtuais-desmaterializadas-cyborgs…?

Socializar e comprar é virtual. A internet está nas “coisas”. Os carros serão (em muito breve) autônomos. Robôs, cyborgs já estão por aí. Realidade aumentada, realidade virtual, inteligência artificial… Qual será o impacto dessas tecnologias em nossas relações?

Os livros e filmes sempre foram usados como plataformas para antever e refletir sobre esses futuros possíveis e não faltam exemplos, como o “Eu, robô” de Assimov, o “Blade Runner” de Ridley Scott e o mais terno, poético e para mim, o mais assustador, “Her” de Spike Jonze. A relação amorosa entre um homem solitário e o sistema operacional de seu computador me pareceu estranhamente possível. Vamos viver a “economia da experiência” com menos experiências “reais”? “Experiências” sem toque. Cada um no seu quadrado, grudados em suas telas. 

Isso está criando uma realidade diferente? Uma “realidade inventada”? Uma sociedade baseada na “Liketocracia”, como em um episódio da série inglesa “Black Mirror”?

Com tanta tecnologia, o que vai fazer a diferença? Para mim, a humanidade. O “toque” é o “novo”. 

É por isso que, no “mundo real”, precisamos de estímulos cada vez mais sensoriais para nos satisfazer. E a experiência de consumo cada vez mais se aproxima de um mundo “mágico e teatral”. Precisamos nos sentir vivos.

Brian Chesky, fundador e CEO do AirBNB, disse durante o lançamento dos novos serviços de sua plataforma digital que “a magia está nas pessoas”. Algo surpreendente para um executivo de um App que “desmaterializou” os hotéis. Como bom designer, Chesky sabe que no final das contas tudo o que fazemos é sobre pessoas. E fazer negócios de pessoas para pessoas vai ser sempre o “novo”.

“Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade.” (Charles Chaplin)